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Volta às aulas: cuidado com o burnout infantil

Atualizado: Mar 25

Jéssica Kuhn

Um alerta aos pais nesse início de ano: as férias acabaram e seu filho já está matriculado em quantos cursos e atividades... além do colégio?


Cuidado! Pensando em preparar da melhor maneira possível o seu filho ou filha para uma vida adulta bem sucedida, você pode acabar exagerando na dose e preenchendo sua agenda com atividades em excesso.


Muitas crianças vêm seguindo uma rotina repetitiva, rígida e sem o menor sentido para elas! Vivem sob pressão, como se fossem pequenos adultos tentando dar conta de todos os seus afazeres diários, com exigências, expectativas e metas a cumprir. Mas afinal, desde quando ser criança virou profissão?


Como um adulto estressado, num efeito cumulativo de sobrecarga, essas crianças sentem um cansaço generalizado que leva a uma exaustão física e mental, incapacitando-as de dar continuidade à sua rotina diária. É assim que surge, instala-se, o burnout infantil, cada vez mais frequente nos consultórios. Sim, agenda cheia e cobrança por notas e resultados podem gerar burnout em crianças.


A sociedade da pressão e do stress


A transformação do mercado de trabalho e a crise econômica provocam um sentimento de insegurança generalizado e de medo do futuro. Esse comportamento ansioso dos pais é projetado e se reflete nas crianças.


Ocorre que pressão em excesso impossibilita que a criança se desenvolva naturalmente evoluindo por etapas. E para piorar, muitos pais não aceitam a idéia de que sua idealização de filha ou filho - aquilo que imaginaram que ela ou ele deveria ser e saber - possa em algum momento fracassar. Níveis elevados de estresse e frustração por um longo período de tempo e a busca pelo perfeccionismo, estão na origem do burnout, por vezes extremamente precoce.


Correndo atrás de uma utopia


Que tal um dia com 14 horas de atividade escolar, com poucas pausas e muita exigência por resultados? Um dia, uma semana, alguns meses! O reultado é um esgotamento físico e mental, que se expressa por extremo cansaço, insônia e desmotivação.


"Mas assim eu não vou atingir o meu ideal de perfeição" (que é, na verdade, o "ideal de perfeição dos meus pais")?Na adolescência, o burnout se dá a conhecer através de uma grande insegurança (perda de confiança) e tendência à destruição. Adolescentes e pré adolescentes que fazem coisas demais, passam noites em claro para terminar suas tarefas e durante o dia não se aguentam de sono, costumam ter problemas de concentração, além de depressão e fobia: tudo em busca de um ideal - utópico - de perfeição.


Sinal de alerta acionado


Conforme a pressão, o resultado pode ser bem diferente do que os pais esperavam. Depressão, automutilação e fobias podem se manifestar já em pré-adolescentes, e muitas vezes fazem parte dos sintomas de um burnout. Por isso, é importante estar atento!


Conheça, então, algumas situações que podem ser indicativas de burnout infantil:


• o seu filho chegava em casa empolgado, contava detalhes de seu dia e fazia as tarefas. Agora é preciso insistir para que ele faça suas tarefas e fale sobre o seu dia


• Ele parece estar sempre triste, cansado e desmotivado, mesmo para ir a festas, encontrar os amigos e fazer coisas de que gosta(va) muito


• Em época de prova, mostra-se inseguro, tenso, chora ao estudar e tem dificuldades para se concentrar e também para dormir


• Mostra-se irritado, cansado, constantemente incomodado e reclamando de tudo e todos


• Antes bom aluno, ele agora apresenta dificuldades para se concentrar e seu rendimento escolar tem caído


Desativando a ameaça


Se você identificou esses sinais no comportamento da criança, você deve considerar a ideia de buscar ajuda profissional.


É que além de sintomas de burnout na infância, eles também podem indicar o início de um quadro de depressão infantil.


E lembre-se: de todo modo, é importante que a criança tenha pausas para descanso e lazer em sua rotina, tempo livre, sono de qualidade e alimentação saudável.


Em alguns casos, faz-se necessário acompanhamento médico com psiquiatra, para possível tratamento medicamentoso com antidepressivos e ansiolíticos. A Psicanálise também pode ajudar, e muito.


Dúvidas? Envie suas perguntas e teremos o maior prazer em te responder!





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