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Os idosos e a solidão

Por Sandra Vaz

Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2030 o número de pessoas acima de 60 anos será maior que o número de crianças e adolescentes, devido a uma maior expectativa de vida das pessoas, somada à queda da natalidade nas populações.



No momento em que estamos vivendo, muito idosos estão se sentindo sozinhos, pois não podem ver suas famílias; ao mesmo tempo, poucos possuem acesso ou conhecimento tecnológico para fazerem contato pela internet. Alguns são um pouco mais resistentes a mudanças, e com certeza possuem limitações da própria idade, desta forma é necessário que seus familiares tenham paciência no relacionamento, os apoiem nas compras e necessidades, mantendo contato pelo telefone através de conversas um pouco mais longas, para que eles se sintam acolhidos nas suas limitações, típicas da idade.


É importante que os mais jovens tenham empatia, procurando dar uma maior atenção neste momento, tentando estimular a diversão, a prática da leitura, culinária, filmes, jogos e até mesmo, se for o caso, cultos religiosos pela televisão, para que evitem o acúmulo de informação que vem dos noticiários, o que acaba gerando mais medo e tornando-os negativos. De alguma forma, é importante não só incentivar, mas propiciar que os idosos pratiquem algumas atividades mentais e físicas, mesmo que em casa, o que pode ajudar o cérebro a se manter ativo e acelerar o gasto energético, melhorando assim a saúde e o sono.

O contato com animais pode proporcionar uma vida mais feliz e saudável para os idosos. As pesquisas revelam que as pessoas com mais idade se sentem amparadas, além de obterem uma sobrevida e menos estresse, por conta do carinho e amor incondicional recebido dos seus animais de estimação.

Muitos moram sozinhos, pois seus companheiros já se foram, os filhos já têm suas próprias vidas, e por conta disto acabam tendo pouco contato com os familiares. Com a presença de um bichinho de estimação, acabam se sentindo importantes por terem a responsabilidade de cuidar, alimentar, passear, criar uma rotina, abrindo espaço para reforços positivos através da troca sincera de carinhos e aconchegos, trabalhando desta forma a emoção, aliviando a solidão e combatendo o estilo de vida sedentária.

Tudo isto acontece porque o contato com os animais estimula a ocitocina, conhecido como o hormônio do amor, e este diminui os efeitos do cortisol, que é o hormônio do estresse, trazendo benefícios para a saúde física e mental dos idosos, produzindo relaxamento e promovendo a alegria.

Curiosamente, se formos à raiz etimológica da palavra “animal”, vemos que ela deriva do termo latino “ANIMA”, isto é, possuidor da alma e do sopro da vida. Segundo um estudo realizado pela Clínica Médico-Psiquiátrica da Ordem em Portugal, pacientes que não respondiam a remédios e outros estímulos para amenizar a ansiedade e a depressão, quando começaram a conviver com animais, melhoraram sensivelmente o quadro, e foi constatado que mais de um terço já não possuíam os sintomas.

Observamos também muitos casos em que os idosos veem o confinamento obrigatório, devido à uma doença contagiosa, como intolerável e frustrante, negando desta forma a realidade. Eles desprezam as orientações das autoridades da saúde, justificando que já viveram muito e que gostariam de seguir sua vida como vinham fazendo, optando pelo risco, o que na opinião deles seria um sofrimento menor do que a depressão de ficar sozinho em casa, pois foram acostumados a sentirem os estímulos reais vindos da natureza, animais e pessoas. Gostam de se relacionar, caminhar, ir à farmácia, ao mercado, sentir o sol e o vento no rosto, e não foram tão acostumados à realidade virtual como os mais jovens.

Precisamos nos preparar para o novo momento que iremos enfrentar, pois mesmo havendo o relaxamento do isolamento, os mais velhos ainda terão a necessidade de se manterem afastados, devido aos riscos de que todos nós já temos ciência. Em alguns casos também, uma alternativa interessante poderia ser uma terapia on-line, que poderia ajudá-los a aliviar sua solidão, suas dores, revisitar questões nunca tratadas, e trazer mais entendimento sobre como lidar com o momento que estamos vivendo, valorizando e acolhendo suas histórias, mostrando o quanto foram fortes enfrentando outros episódios de suas vidas, e que agora é necessário resgatar esta mesma força para seguirmos todos juntos quando tudo isto passar.

Isolamento físico não é isolamento social. Mantenha contato!

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