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Dez passos (em casa) para não surtar com a quarentena

Jéssica Kuhn Primeiro veio a negação, depois o medo que virou desespero... E é contra ele, o desespero, que agora temos que lutar! É ele que é perigoso, contagia, nos paralisa e faz tomar decisões totalmente impensadas e irracionais.



Mas há o medo bom, o lado bom do medo, aquele que nos faz parar, refletir e planejar ações de enfrentamento dessa realidade. E para darmos conta dessa situação, temos que manter o bom e velho “equilíbrio emocional”

Mas e tudo isso que está acontecendo?

O fato das pessoas estarem enfrentando uma situação totalmente adversa e desconhecida, e ainda mais com privação social, traz um risco muito grande de sofrimento psíquico. O aumento da ansiedade, do estresse e da insegurança pode afetar não apenas o nosso equilíbrio mental, como também o nosso sistema imunológico. E o confinamento, a quarentena, ao mesmo tempo em que intensifica relações que conforme o caso podem ser desgastantes e até estressantes (na família, por exemplo), traz também o sentimento de falta de outras relações (de trabalho, de amizade), resultando em uma delicada situação emocional, uma situação onde se perde dos dois lados.

E o pior é que quando temos nossa liberdade de movimentação reduzida, o espaço que nos resta parece ainda menor. Às vezes é até difícil imaginar que possamos caminhar dez passos sem voltar para trás. Mas, sim, isso é não apenas possível como necessário. Ainda que estejamos falando em sentido figurado, nossa mente é de fato capaz de levar-nos para muito longe.

Abrindo caminho para o equilíbrio emocional

• Primeiro passo: resistir à overdose de informação

Cuidado com o excesso de informação! Claro que manter-se informado num momento como este é imprescindível, mas se você ficar conectado todo o tempo, entrará em um estado mental de constante alerta, aumento de ansiedade e não conseguirá relaxar ou discernir. Quando se fica garimpando informação em todo lugar, corre-se um grande risco de receber não só as notícias importantes e esclarecedoras, como também muita “fake news”. Isso tudo poderá afetar o seu humor de forma negativa, por isso é preciso filtrar conteúdos e tentar reduzir a exposição a conteúdos de carga emocional negativa. Uma boa sugestão é assistir a apenas um ou dois noticiários por dia, de preferência um pela manhã e outro à noite, o que é suficiente para se atualizar. E distrair sua mente, desligá-la um pouco do coronavírus e ocupá-la com outras distrações.

• Segundo passo: estabelecer uma rotina

A desorganização de sua rotina tende a lhe trazer insegurança, angústia e desânimo. Definir uma rotina diária pode ser muito benéfico para sua mente. Organize seu tempo, estabeleça pausas para as refeições e, se estiver trabalhando em home office, vale também não se esquecer da pausa para o cafezinho e do horário de término do expediente. Assim que ele chegar, descanse, relaxe, converse com os amigos, faça algo que lhe dê prazer, lhe traga conforto. E com isso chegamos ao próximo passo.

• Terceiro passo: faça coisas de que gosta

Aproveite que agora você tem mais tempo disponível e assista aquela série de TV que você vem adiando. Ou faça aquele curso online, leia aquele livro que estava deixando para quando tivesse tempo. As opções são muitas!

• Quarto passo: aproveite para colocar as coisas em ordem

Arrumar os armários, organizar fotos de viagem, jogar papéis fora podem parecer tarefas chatas. Mas isso ajudará você a preencher o seu tempo, a repousar e ao mesmo tempo ocupar sua mente. E essa organização, de forma indireta, organizará também a sua atividade mental. Experimente!

• Quinto passo: mantenha contato

Aproveite esse ganho de tempo e toda essa tecnologia que hoje temos à nossa disposição e continue conectado aos seus amigos. Não dá pra sair por enquanto, mas dá pra conversar com os amigos de sempre, fazer uma vídeo chamada pra matar as saudades daqueles queridos que moram distante e há tempos você não vê... Converse muito, sem esquecer, é claro, de quem mora com você. Assuntos variados, por favor! Falar de trabalho, piadas, boas lembranças e até do que está sentindo.

• Sexto passo: pratique a resiliência

Descubra, perceba o que você pode aprender com tudo isso que está acontecendo. De forma realista e sem pânico. Como toda crise, por pior que possa parecer, essa também irá passar. E você pode aproveitar para crescer e se fortalecer com ela, sair dela mais forte do que entrou. Não duvide disso.

• Sétimo passo: cuide do seu corpo e da sua mente

Por que não? É possível praticar alguma atividade física - aquela aula de dança online, a yoga que você sempre quis fazer, estão aí ao seu alcance (e sem testemunhas!) a um toque do botão da sua Internet. Praticar todo e qualquer tipo de meditação e relaxamento também irá favorecer a sua saúde física, não apenas mental. O que você está esperando?

E claro, além disso, alimente-se bem!

• Oitavo passo: siga o seu tratamento ou planejamento

Se estiver fazendo algum tratamento médico, não é motivo para abandoná-lo, certo? Muito pelo contrário. Não pare a medicação e procure o seu médico se perceber alguma piora nos sintomas. Mas se esse não for o seu caso, a dica é começar a planejar a vida que você pretende ter quando este período passar.

• Nono passo: não abandone sua terapia

Se você está em algum tipo de terapia, provavelmente já terá conversado a respeito com o seu terapeuta. Eu só gostaria de lembrar que este talvez seja justamente o momento em que você irá precisar dela ainda mais. Então, havendo a possibilidade de prosseguir com as sessões à distância, online, sugiro que você não abra mão da oportunidade de se cuidar. A maioria dos atendimentos pode ser feita dessa maneira. E se é você que nunca fez sua sessão por estranhar, por desconfiança e timidez, está aí um bom momento para você experimentar. E se não gostar, tudo bem.

Mas o momento se presta a reflexões também para quem não está em terapia. Nesse caso, a proposta para o nono passo se conecta com o anterior, e você pode até invertê-los. Antes de pensar nos objetivos para a vida pós-coronavírus, caberia de vez em quando um balanço de como a vida foi vivida até aqui, lembrar das coisas que te deixam feliz e como fazer para que elas retornem ou permaneçam...

• Décimo passo: se precisar, peça ajuda

Ss você perceber que está extremamente ansioso, depressivo, com pensamentos mórbidos recorrentes, pensando em se machucar ou até mesmo em suicídio, não hesite em procurar seu terapeuta, seu médico, familiar, ou ainda o Centro de Valorização da Vida, através do número 188. Independentemente do nível de desconforto, nunca deixe de lado a chance de ser ouvido – e se você procurar com atenção – sempre encontrará alguém com quem poderá conversar.

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