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Como reconhecer a síndrome do pânico?


Foi-se o tempo em que não sabíamos o que era um episódio de pânico, um problema que começou a ser relatado no final do século passado. Hoje um número cada vez maior de pessoas chegam ao consultório apresentando os sintomas que diagnosticamos como “transtorno de pânico”, ou mais popularmente como “síndrome do pânico”.


Normalmente são diversos os fatores que a desencadeiam, e os sintomas da síndrome do pânico podem diferir entre uma pessoa e outra, não avisando a hora e nem o lugar para acontecer.


De onde vem tudo isso?


Certamente a base destes acontecimentos são a ansiedade e o medo, muito possivelmente decorrentes de emoções vivenciadas em uma infância sem o acolhimento dos pais, traumas ocorridos em alguma outra fase anterior da vida, acontecimentos ou desejos recalcados sem a elaboração necessária... E assim, por esta razão, algo aparentemente simples acaba na realidade se manifestando como a atualização de alguma experiência passada, despertada de alguma forma por algum evento atual, que por ter passado um longo tempo represada e reprimida, ressurge com uma força inesperada, desencadeando uma crise que não se pode mais ignorar ou fingir que não existe, e que pode inclusive ocorrer durante o sono.


Em outras situações, as pessoas que desenvolvem esta síndrome possuem a necessidade de exercer controle sobre tudo o que acontece à sua volta, e quando isso minimamente deixa de acontecer, elas acabam se desestabilizando completamente, e os sintomas se manifestam. Em outros cenários, observamos que a crise também pode ser motivada por um quadro de doença em algum parente próximo, ou no próprio paciente.


Os sintomas são inúmeros, normalmente tremores no corpo, dores abdominais ou no coração, falta de ar, taquicardia, sudorese, sensação de perda de controle e o sentimento forte de que pode morrer a qualquer momento.


Eles podem ocorrer em casa, no trabalho, no metrô, não importando o local. O medo da reincidência da crise faz com que a pessoa tema sair de casa, ficar sozinha ou até mesmo trabalhar, causando assim um problema social importante.


Compreender para melhor enfrentar


É necessário que o paciente aprenda a entender suas emoções e, observando os sintomas, trabalhe sua respiração, acalmando sua mente e seus pensamentos.


O tratamento pode ser feito com a análise psicanalítica e algumas vezes, se necessário, em sintonia com o uso de remédios, neste caso com o acompanhamento de um médico psiquiatra. É importante lembrar que o remédio sozinho não ensina o paciente a lidar com suas emoções, e consequentemente causa apenas um alívio imediato.


A análise do paciente busca ajudá-lo a acalmar sua mente e entender os fatores desencadeantes, o que inclui entender quando, onde e porque as primeiras crises ocorreram, e assim conscientemente enfrentar estes momentos tão desafiadores, muitas vezes não compreendidos pela maioria.


Fique atento


O ataque de pânico começa de repente e apresenta pelo menos quatro dos seguintes sintomas:


• Adormecimento ou formigamento nas pernas, mãos e corpo

• Palpitações e taquicardia

• Dor e/ou desconforto no peito, que podem ser confundidos com os sinais do infarto

• Sensação de falta de ar e de sufocamento

• Tremores

• Ondas de calor e calafrios

• Sudorese

• Náuseas ou desconforto abdominal

• Tontura ou vertigem

• Medo súbito

• Medo de perder o controle ou enlouquecer

• Despersonalização (sensação de desligamento do mundo exterior, como se a pessoa estivesse vivendo um sonho)

• Sensação iminente de morte


Sandra Vaz

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