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Bipolaridade não é uma brincadeira


“Será que sou bipolar?”


Já escutamos esta pergunta no consultório diversas vezes, e é por esta razão que consideramos importante falarmos sobre o assunto, esclarecendo que as mudanças de humor são normais em todas as pessoas, e nem sempre devemos identificá-las como bipolaridade.


A palavra “bipolar” hoje em dia está sendo muito usada erroneamente, principalmente para caracterizar uma pessoa que muda de ideia ou humor repentinamente.

Quando a mudança de humor é intensa e sem motivo aparente, causando problemas na vida pessoal, é necessário consultar um profissional da área para um diagnóstico correto.


O transtorno bipolar é considerado um dos transtornos de humor, assim como a depressão, que é também chamada de unipolaridade.


O difícil diagnóstico da bipolaridade


As causas da bipolaridade ainda não foram totalmente identificadas, podendo estar ligadas a fatores genéticos, a um desequilíbrio entre os neurotransmissores, problemas hormonais, alterações em certas áreas cerebrais, ou ainda serem desencadeadas em pessoas geneticamente predispostas a partir de gatilhos como estresse prolongado, puerpério, traumas e perdas, entre outras.


O diagnóstico é sempre clínico, e trata-se de uma patologia que pode levar anos para ser confirmada, já que os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças, tais como a depressão maior, esquizofrenia, distúrbios de ansiedade e síndrome do pânico.


Identificando os sintomas


O que distingue a bipolaridade de outros distúrbios psiquiátricos é o encadeamento cíclico entre as fases. Os sintomas passam por alterações do sono, estado de tristeza profunda e de repentina euforia, inquietação, lentidão e confusão mental.


O transtorno bipolar é caracterizado pela oscilação entre a mania e a depressão.

A mania, ou estado eufórico, se apresenta por momentos de intensa felicidade ou irritabilidade, podendo durar dias ou meses. Algumas vezes a mania causa uma extrema autoconfiança, aumento da energia e da libido, euforia e arrogância, podendo levar a pessoa a situações como endividamentos, direção perigosa, ingestão exagerada de alimentos, bebidas ou drogas, comportamento sexual de risco, entre outras.


Após esta fase, sem motivo aparente, a pessoa pode mudar o humor repentinamente e apresentar um estado profundo de depressão, com extremo desânimo, falta de vontade e de libido, isolamento, desesperança. Em alguns casos, os picos de depressão na bipolaridade podem levar a pessoa ao suicídio.


O transtorno bipolar pode se apresentar também em uma versão menos severa, conhecida como “ciclotimia”, que envolve oscilações de humor menos fortes. A pessoa oscila entre mania e depressão leve.


Como lidar com o impacto da bipolaridade


Segundo dados da Associação Brasileira de Psiquiatria, o transtorno bipolar afeta 6 milhões de brasileiros, e é a doença psiquiátrica que mais causa mortes por suicídio: entre 30% e 50% dos pacientes tentam o suicídio e, dos que tentam, 20% conseguem o objetivo, conforme dados da Associação Brasileira de Transtorno Bipolar – ABTB.

A bipolaridade acomete homens e mulheres, mais comumente entre 15 e 25 anos, podendo também ocorrer em outras fases da vida.


A Psicanálise, em conjunto com o uso de fármacos, pode ser muito útil no tratamento, auxiliando o paciente a identificar quais são os fatores que desencadeiam a crise, buscando os conteúdos do passado que foram reprimidos ou recalcados, ensinando a pessoa a lidar com as emoções negativas, trabalhando a resiliência para enfrentar as situações adversas da vida e as dificuldades impostas pela doença, assim colaborando para a prevenção da recorrência das crises.


Ainda que a bipolaridade não tenha cura, é possível manter o controle dos sintomas através da combinação de medicamentos prescritos pelo médico psiquiatra e acompanhamento psicoterapêutico. A associação do lítio com antidepressivos e anticonvulsivantes tem demonstrado grande eficácia no controle das crises.


O transtorno bipolar tem alto impacto na vida da pessoa e de seus familiares, trazendo significativo comprometimento em todas as áreas. Assim, o apoio da família e dos amigos é de suma importância para que a vida do paciente transcorra dentro de um quadro sem maiores sobressaltos. A Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos – ABRATA (www.abrata.org.br) oferece informações, dicas e orientações detalhadas que podem ser de grande valia para a conscientização e e escolha do tratamento mais adequado.


Jéssica Kuhn, Maria Zélia de Souza, Maristela Napolitano e Sandra Vaz


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