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Alerta amarelo contra o suicídio

Jéssica Kuhn


Setembro chegou, e com ele está de volta a campanha "Setembro Amarelo", que busca estimular a conscientização sobre o suicídio e aumentar a sua prevenção, uma iniciativa que vem sendo conjuntamente promovida desde 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria.


É preciso falar sobre o suícidio


De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é a segunda causa de mortes entre os jovens de 15 a 29 anos no mundo. A cada 40 segundos uma pessoa se mata em algum lugar do planeta. No Brasil, o suicídio é a quarta causa de morte juvenil.


Diante de um problema que já pode ser considerado de saúde pública, as campanhas de prevenção vêm se mostrando fundamentais, já que o tema passa a ser discutido e as pessoas recebem orientações sobre como lidar com a questão. A necessidade deste diálogo e o fim do tabu e do silêncio que tradicionalmente cercam o assunto é respaldada pelas estatísticas: de acordo com especialistas, nove entre dez mortes poderiam ser evitadas, uma vez que pessoa já passava por um transtorno mental naquele momento e não recebeu ajuda a tempo.


Principais esclarecimentos sobre o suicídio


E quais são os esclarecimentos que a campanha proporciona? Primeiramente, é importante observar que tanto o suicídio em si como também o pensamento suicida fazem parte da condição humana. Na vida, é normal que às vezes se atravesse algumas fases realmente difíceis. Mas a mensagem que fica quando se consegue resistir aos momentos de maior angústia e desespero é que sempre há uma saída, e que tudo, enfim, passa.


Pensamento de morte é diferente de ideação suicida. Todos nós em algum momento da vida já pensamos em morrer ("eu bem que poderia morrer", "eu queria morrer", “adoraria não mais acordar”). Já na ideação suicida, a pessoa sente que a sua dor emocional é tão grande, profunda e devastadora que ela é impossível de descrever e suportar, ela parece ser interminável, insuportável e não se vislumbra no horizonte um cenário onde as coisas sejam diferentes, onde aquilo que faz sofrer não esteja mais presente. Sobrevem então o desejo de tirar a própria vida, e encurtar um sofrimento que parece, também ele, fadado a conduzir à morte.


As pessoas que vivenciam tal quadro claramente não conseguem perceber sozinhas que esses sentimentos fazem parte de um sofrimento psíquico que vem distorcendo a realidade.


Sinais de risco de suicídio


Como parte da prevenção, é importante estar atento aos sinais que podem surgir antes ou durante a intenção suicida:


· Isolamento

· Abandono de atividades, cursos e hobbies que antes achava prazerosas

· Desinteresse geral pela vida

· Corte de planejamentos futuros

· Uso de substâncias psicoativas

· Alterações do sono e de apetite (para mais ou para menos)

· Desapego de objetos pessoais, via doação ou mesmo descarte

· Mensagens de despedida


Como ajudar alguém em risco de suicídio?


Se já há uma desconfiança de que a pessoa está considerando a ideia de colocar fim à própria vida, a orientação é conversar diretamente com a pessoa que está sofrendo. Um diálogo aberto, empático, compreensivo e respeitoso pode ajudar muito.


O foco deste diálogo deve ser o outro, portanto não fale muito sobre si mesmo e nem dê opiniões ou ofereça soluções simples. Demonstre compreensão e não emita julgamentos religiosos ou de quaisquer outro tipo, pois isso pode piorar a situação, fazendo com que a pessoa, que já se encontra em grande sofrimento, venha a se sentir culpada e ainda mais inadequada ao ambiente. Oferecer suporte emocional, se mostrar à disposição caso ela queira conversar novamente e informar sobre ajuda profissional são pontos muito importantes.


Se a pessoa não se mostrar à vontade e não quiser se abrir, não insista, mas deixe claro que você estará à disposição para conversar em outras oportunidades. Você também pode indicar os serviços oferecidos pelo CVV, disponíveis em ww.cvv.org.br, que funciona 24 horas por dia em total e absoluto sigilo.


Se a pessoa falar claramente sobre seus planos de se matar e estiver decidida quanto a isso, convém não deixá-la sozinha e procurar ajuda junto aos serviços de saúde mental, aos familiares e amigos da pessoa.


Não julgue alguém que diz não desejar mais viver, e sim incentive a pessoa a buscar ajuda profissional. E, claro, nunca deixe de apoiar o tratamento.


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